Togo, um urso muito determinado

Histórias fazem parte do imaginário do ser humano. Nas antigas civilizações havia poucos meios para propaga-las. Eram contadas oralmente. Hoje em dia temos diversos recursos, sendo o mais popular, ainda, o livro. É através de histórias que valores são passados, a ética e o respeito pelos outros seres é evocado e a imaginação e criatividade estimulados.

A melhor época para usar estes recursos  é na infância, quando estamos abertos, sem pré-julgamentos, sem pré-conconceitos. E uma vez tocados por estes valores, dificilmente são esquecidos. Eles norteiam muitos dos nossos passos. Este é o principal motivo que me levou a escrever  O URSO QUE NÃO QUERIA DANÇAR.  Uma história, que além de noções geográficas, estimula na criança o respeito pela natureza e os animais, além da união da família.

O urso Togo, que não queria dançar, estará na Feira do Livro de Porto Alegre, esperando para contar sua história. Apareça no dia 15 de novembro, as 16:00 para um bate-papo comigo e as 17:00 para a sessão de autógrafos.

Até lá!

 

 

Um pouco de Clarice Lispector

Clarice não é com dois “ss”, mas com C. Esta seria a única coisa que ela diria ao repórter que a criticou ferozmente num jornal pouco antes de sua morte, caso lhe dirigisse a palavra. O fato é relatado pelo biógrafo americano, Benjamin Moser, no livro Clarice, da editora Cosac Naify.

Moser relata que se encantou com a subjetividade pouco comum presente em seus escritos. Conheceu-a quando estudava literatura num curso do idioma português, na Brown University, em Rohde Island, EUA, lendo “A Hora da Estrela”. Hoje, ele reside na Holanda. ” Foi paixão imediata, não fui eu que a escolhi, ela me escolheu” relata Moser, “não tem explicação”, define.

Ele a compara a Kafka, James Joyce e Virgínia Woolf. “Clarice Lispector já foi descrita como quase tudo: nativa e estrangeira, judia e cristã, bruxa e santa, homem e lésbica, criança e adulta, animal e pessoa, mulher e dona de casa” escreve Moser. Ela mesma teria afirmado: eu sou vós todos.

Por esta sua capacidade em perscrutar os sentimentos da alma humana em profundidade, revelando-os através dos seus personagens, algo pouco comum em sua época na literatura brasileira, é considerada a pioneira do existencialismo no Brasil.

Nascida na Ucrânia, Clarice chega ao Brasil com dois meses. De origem judia, foi por muitos considerada estrangeira, o que a indignava. “A minha terra não me marcou em nada a não ser pela herança sanguínea. Eu nunca pisei na Rússia”, e escrevendo para uma amiga, desabafa: “Eu, enfim, sou brasileira, pronto e pronto” relata Moser sobre sua biografia.

Em sua última entrevista, fevereiro de 1977, comenta: ”Quando eu me comunico com criança é fácil, porque eu sou muito maternal. Quando eu me comunico com adulto, na verdade estou me comunicando com o mais secreto de mim mesma. Aí é difícil”.

Clarice morreu dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de completar 57 anos, vítima de um câncer. Deixou uma vasta obra, entre romances, uma novela -A Hora da Estrela -, que virou filme em 1985, inúmeros contos, correspondências, crônicas, literatura infantil, antologias, etc. Diversas obras suas foram representadas no teatro e viraram filmes, documentários de TV e leituras de áudio.

Ela é publicada em diversos países: Alemanha, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Holanda, Inglaterra, Israel, Itália, Noruega, Polônia, Rússia, Suécia, República Tcheca, Turquia.

Este ano faria 90 anos.