Um Shopping diferente- onde tudo tem uma segunda chance

Eduardo e Cristina Malisnki

Quem não gosta de saber que ainda pode fazer tudo outra vez? Que um ciclo encerra, mas outro se abre? Que nem todo fim é o final, mas apenas uma mudança de local, um novo começo?

Isso pode-se aplicar aos manufaturados, por que não? Aquilo que você não quer ou não usa mais, ainda pode servir para outros.  Pessoas, e principalmente o meio ambiente,  podem se beneficiar de atitudes simples como o reaproveitamento de materiais.  Afinal, todos já sabemos que os recursos de que dispomos no Planeta Terra são finitos.

Eduardo Malinski,  66, e sua esposa Cristina estão instalando um local onde se vende e se compra tudo que se possa imaginar que já passou por outras  mãos.  É  o Shopping da Sucata. O Local fica na BR 386, km 414, região de Triunfo, RS.

Com uma área de 2.500 metros quadrados, o local está sendo preparado para sua inauguração, mas ainda não tem data certa.  “Tem muito trabalho para ser feito ainda, comenta Eduardo, mas acredito que antes do meio do ano vamos inaugurar, e vai ter muitas surpresas”, conclui. Refere-se a um globo que está construindo no interior do ambiente, revestido de garrafas pet, escadaria feita de placas de aço, e que segundo ele, terá várias portas que abrirão para “coisas que ninguém nunca viu”. Tudo feito de sucata.

Além de trabalhar com materiais usados, o proprietário do Shopping da Sucata é também inventor. Cria prateleiras giratórias para armazenar o material e recentemente patenteou um projeto com o nome de – prateleira giratória para câmara frigorífica – que está a venda para quem se interessar em armazenar muitas coisas num pequeno espaço. A engenhoca permite que a mercadoria gire, sem que o cliente ou o vendedor tenham que se deslocar, composto por um tubo grande que gira, tendo em seu interior outros quatro tubos menores que também giram. “Patentiei a idéia, mas não o tamanho” diz seu inventor, “isso pode ser usado com motor ou sem, e feito de diversos materiais” comenta.

O próprio local é decorado com diversos materiais descartados, entre garrafas pet de diversas cores, cds, tampas, sinos, mangueiras, vassouras e muitos outros objetos. Além de ser um negócio, Malinski, neto de poloneses, nascido em Getúlio Vargas- RS,  mas residindo mais de vinte anos na região de Triunfo, tem a preocupação de prolongar a vida do material que revende.  “Aqui se aproveita e se vende de tudo”.   Cristina, que auxilia o marido diretamente no negócio, além de dois funcionários fixos, é a responsável em colocar os preços. “Vendemos tudo  barato, qualquer sapato por R$ 10,00; calça jeans por R$ 5.00.   Tem desde computadores antigos, a pregos e parafusos.  O que se imagina…” comenta ela.

O que para a maioria é apenas sucata, para muitos é o meio de acesso ao uso destes materiais, pelo baixo custo. Melhor que reciclar pode ser prolongar a vida e o aproveitamento de coisas manufaturadas. Elas tiveram um custo para serem produzidas,  algumas sendo descartadas com pouco uso.

O governo promete, segundo o Ministério do Meio Ambiente –MMA, acabar com os lixões em todo país até 2014, o que significa que todos os municípios brasileiros terão que se adequar a nova legislação, criando normas para a prática da coleta seletiva.  A definição é do artigo nº 54 da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), recentemente regulamentada por Decreto Presidencial, em 23 de dezembro de 2010.  Ficará proibido, a partir de 2014, colocar em aterros sanitários qualquer tipo de resíduo que seja passível de reciclagem ou reutilização. A ordem de prioridade  será a de não-geração, a de redução, reutilização, reciclagem e tratamento de resíduos. Isso coloca em prática a logística reversa, que é entendida como um conjunto de “ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”.  (Ministério de Meio Ambiente).

Nesse sentido, o exemplo de Eduardo Malinski e seu Shopping da Sucata, alem de ser ambientalmente correto, é também uma prática com amparo legal, pois possibilita a reutilização de materiais das mais variadas procedências, aumentando sua vida útil, evitando que  ‘ engordem ‘ os lixões.

O Brasil continua, pelo nono ano consecutivo, campeão na reciclagem de latas de alumínio.  Mas este, representa 1% do  lixo  produzido no país.  O que lidera o topo da lista com 39%, é o papel e papelão; em segundo lugar, com 16%, os metais ferrosos e em terceiro lugar, com 15%, o vidro, dados do Portal AmbienteBrasil.

A cada ano são desperdiçados R$ 4,6 bilhões, porque não se recicla tudo o que poderia.

Ou seja, ainda há muito a ser feito no uso e gestão das coisas que o ser humano usa no decorrer de sua existência.  Cada um de nós provoca um impacto, deixa um rastro atrás de si.  Como ele será, se mais ou menos destrutivo faz parte das escolhas e atitudes de cada um.  Podemos simplesmente cumprir leis, ou viver de forma que elas se tornem desnecessárias.

Exemplos para serem seguidos por nosso e outros países:

http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2011/04/08/68548-lixo-extraordinario.html